Hoje temos o prazer de apresentar um projeto da nossa amiga Yanna Basílio. Nascida em Manaus/ AM, Yanna Basílio optou por cursar arquitetura na PUC/ Minas, em Belo Horizonte. Após concluir a faculdade em 2004, mudou-se para São Paulo onde concluiu pós-graduação em Paisagismo e Design de Interiores. Também tem em seu currículo uma pós-graduação em Design de Interiores dos Espaços de Trabalho/ Espaços Comerciais pela Universidade Pompeu Fabra de Barcelona, na Espanha.

Yanna continua residindo em São Paulo, já trabalhou em grandes escritórios e construtoras da cidade e hoje atua em seu próprio escritório com projetos, inclusive, na sua cidade natal. Em 2010, participou da 1ª Casa Cor Amazonas, com o ambiente Quarto do Casal.

Recentemente, em São Paulo, tivemos a oportunidade de visitar um de seus últimos projetos, o Atelier Co.Sturando. Conhecido como cosewing, ou costura compartilhada, esse modelo de atelier traz todo o conceito do coworking já presente em muitos países da Europa e que ganha cada vez mais espaço pelo mundo.

Fotos: André Mortatti.

Atelier Co.Sturando – espaço multiuso. Fotos: André Mortatti.

PERFIL DO CLIENTE

Nesse projeto do Atelier Co.Sturando, o cliente foi um dos desafios para o escritório de arquitetura, pois tratava-se de duas sócias vinculadas à área criativa, que geralmente são pessoas de atitude, conhecimento e com consciência do que querem. Então precisávamos suprir as expectativas em solução projetual que atendessem a distribuição existente dos ambientes, além de criatividade na escolha de materiais e objetos condizentes com a proposta que o atelier queria oferecer aos seus usuários.

Por outro lado, foi muito prazeroso, pois cada ideia que surgia do escritório de arquitetura era complementada com outra mais criativa ainda por parte das clientes. Então, pudemos somar nossos conhecimentos e deixar o local com mais identidade.

CONCEITO

 O projeto partiu do conceito de tentar fazer um espaço multiuso, que pudesse reunir não só profissionais ou interessados na área da moda, mas também do design, artesanato, arquitetura e fotografia.

Precisávamos deixar o espaço bem funcional tanto para o dia a dia desse atelier de costura como para o modelo coworking, aonde as pessoas vão para fazer pesquisas, trabalhar, interagir com outros profissionais, quanto para os períodos voltados aos cursos e oficinas, onde o mobiliário tem que ser dinâmico e acompanhar todo esse ritmo/conceito!

“Nele, as pessoas buscam em espaços de costura compartilhada aquilo que seus ateliês caseiros não lhes proporcionam: uma máquina de costura mais atual, uma boa mesa de corte ou troca de referências e conhecimentos com novas pessoas. O Atelier Co.Sturando é exatamente isso: um espaço criativo dedicado à costura compartilhada! Isto porque acreditamos de verdade que duas cabeças pensam melhor do que uma, e várias juntas têm o poder de criar coisas incríveis! E quem não sabe costurar? Vem aprender! Além de aproveitar nosso delicioso atelier, qualquer um pode escolher um ou vários cursos para iniciar e/ou aprofundar seus conhecimentos costurísticos. Nossa proposta é a de reacender a magia das peças feitas à mão, sob medida, pensadas especialmente para alguém e não para “qualquer um”. Não importa se é uma peça de roupa ou uma boneca de pano, aqui, o essencial é criar e compartilhar histórias, conhecimento e projetos. Venha tomar uma xícara de chá e conhecer nosso espaço, ferramentas, cursos e projetos!”, convida Beatriz Mischiatti, sócia-proprietária do Atelier Co.Sturando juntamente com Christyanna Basílio.

Beatriz Mischiatti, sócia-proprietária do Atelier Co.Sturando. Fotos: André Mortatti.

Beatriz Mischiatti, sócia-proprietária do Atelier Co.Sturando. Fotos: André Mortatti.

DESAFIOS

O maior desafio foi procurar aproveitar ao máximo o espaço existente e torná-lo ora um local de trabalho, sem a ideia de você estar em um escritório convencional, ora transformá-lo em um local para cursos e oficinas.

Além disso, a ideia era executar uma obra limpa, sem muito quebra-quebra, com materiais diferentes e de baixo custo sem que tirasse as características da casa antiga em que se encontra o atelier.

Aí entrou a infra de elétrica e iluminação nova por meio de eletrodutos galvanizados, móveis e objetos que depois fossem facilmente levados para outro local, e que não deixassem muito “estrago” na hora de devolver o imóvel, que é alugado.

SOLUÇÃO PROJETUAL

Duas soluções se destacam no projeto: a primeira foi utilizar caixas de hortifrúti como nichos nas paredes. Uma ideia ótima para se guardar os pertences dos usuários e suporte para as máquinas de costura liberando as mesas para servir de espaços para pesquisas, bordados, etc.

A ideia dos nichos também surgiu porque precisávamos de uma sala ampla, com mesa de corte, tamanho mínimo padrão e com multifuncionalidade para trabalhos e oficinas, por isso não seria apropriado móveis de piso como estantes, por exemplo, que dificultasse pelo tamanho, peso e locomoção em caso de mudança.

O objetivo era ser tudo prático para clientes e usuários. E como o atelier pretendia ser um espaço diferente dos escritórios e empresas convencionais, optamos pelas caixas de feira mesmo, hoje muito utilizadas para deixar os ambientes mais despojados, inclusive casas e lojas.

Com a mesma ideia de praticidade e multifuncionalidade optamos por um mobiliário totalmente solto, composto por cavaletes com tampos de MDF, que hora são mesas de trabalho/pesquisa/desenhos industriais individuais, ora se juntam para um trabalho em equipe ou mesmo servindo como mesa extra de corte. Além disso, podem ser desmontadas com facilidade e empilhadas em algum cantinho.

Caixotes de hortifrúti nas paredes e mobiliário solto. Fotos: André Mortatti.

Caixotes de hortifrúti nas paredes e mobiliário solto. Fotos: André Mortatti.

TRANSFORMAÇÃO  

A segunda solução que chama à atenção, talvez a mais complexa, foi transformar uma sala de banho existente em um ambiente funcional para clientes e funcionários. Nesse caso, para que as proprietárias não tivessem trabalho e dor de cabeça na hora de devolver o imóvel um dia, optou-se em não retirar muitas das louças sanitárias e peças existentes, assim como assumir os revestimentos já existentes.

O local funcionava realmente como uma sala de banho com bidê e banheira. A sorte foi termos um espaço de boxe grande onde pudemos remanejar o lavatório existente e o vaso, apenas inserindo uma porta do tipo vai-e-vem. Foi preciso a execução de um deck suspenso no piso para esconder a tubulação de hidráulica. Optamos em manter a banheira existente, dando-lhe um novo uso: como base para um sofá! Além disso, o espaço do seu interior foi usado para guardar coisas.

Antes uma sala de banho, esse ambiente se transformou no escritório das proprietárias, banheiro do atelier e também com possibilidade de ser revertido num espaço de comércio, servindo para a exposição de produtos dos coworkers e frequentadores/parceiros do atelier.

Sala de banho que virou sala administrativa. Fotos: André Mortatti

Sala de banho que virou sala administrativa. Fotos: André Mortatti

SUPÉRFLUO NECESSÁRIO

Todo supérfluo é necessário se você parte de um conceito e possui um foco para que sua proposta seja concretizada com sucesso, tomando cuidado para que não se desvincule ou se perca durante esse caminho, tornando-o apenas um supérfluo!

Abaixo, algumas fotos desse projeto lindo, funcional e criativo:

Fotos: André Mortatti.

Fotos: André Mortatti.

Fotos: André Mortatti.

Fotos: André Mortatti.

Fotos: André Mortatti.

Fotos: André Mortatti.

Outros cantinhos. Fotos: André Mortatti.

Outros cantinhos. Fotos: André Mortatti.

Outros cantinhos. Fotos: André Mortatti.

Outros cantinhos. Fotos: André Mortatti.

Outros cantinhos. Fotos: André Mortatti.

Outros cantinhos. Fotos: André Mortatti.

Outros cantinhos. Fotos: André Mortatti.

Outros cantinhos. Fotos: André Mortatti.

Outros cantinhos. Fotos: André Mortatti.

Outros cantinhos. Fotos: André Mortatti.

Outros cantinhos. Fotos: André Mortatti.

Outros cantinhos. Fotos: André Mortatti.

Gostou de conhecer mais esse projeto? Então comente e/ou compartilhe!!