Esse mês nossa coluna convidou o arquiteto Fabrício Lopes Santos para apresentar o projeto do Kin Sushi Bar.
Arquiteto e urbanista formado pelo Centro Universitário do Norte (Uninorte), com pós- graduação em Master em Arquitetura pelo Instituto de Pós-Graduação (Ipog), especialista em projetos comerciais gastronômicos e com experiência em cozinhas profissionais e industriais, Fabrício teve seus projetos na Casa Cor Amazonas de 2010 e 2011 premiados como Melhor Projeto Gastronômico.
Aqui ele conta um pouquinho do mais recente projeto e dos desafios para execução do Kin Sushi Bar.
01

PERFIL DO CLIENTE

Desde o início da concepção do projeto até sua completa execução considero que o fator principal no resultado foi a participação plena do cliente. As ideias e soluções de cada item aplicado ao ambiente sempre contou com muita conversa e considerações constantes junto ao cliente e fornecedores, afinal, precisávamos sempre compatibilizar as ideias com os custos sem perder de vista o resultado. E sem briga! Rs. O interesse do cliente foi completo, pois embarcou no projeto e fez questão de lutar por cada detalhe, perguntando, oferecendo, pesquisando e sugerindo milhares de soluções, sem perder o foco e respeitando as orientações técnicas que se faziam necessárias.

CONCEITOS

Por se tratar de um restaurante de culinária oriental, alguns elementos mostram automaticamente o universo japonês e chinês, como a madeira crua e os elementos verdes da natureza. Porém, tentamos ir além, buscamos pelo verdadeiro ambiente na sua origem, onde pudesse traduzir a calmaria de um típico povoado oriental, o conforto visual através de itens comuns como cordas, ferros e gaiolas, misturados à sofisticação de um mundo moderno, ou seja, um espaço que pudesse transmitir a pureza e a paz da natureza e a diversão nos tempos de hoje. Sustentabilidade e eficiência apresentam pontos fortes na concepção, bem como a identidade dos elementos. Tudo para que entrassem em harmonia com a intenção de mercado e público alvo.

DESAFIO

Priorizamos a funcionalidade dos espaços e serviços oferecidos pelo restaurante, porém, cada detalhe criado teve um desafio diferente. Trabalhar elementos comuns e transformá-los dando novo uso é mais que um trabalho artesanal, é um envolvimento sentimental que exige técnica, percepção e habilidade. Trabalhamos cortes circulares de madeira que foram coladas uma por vez, manualmente, com pintura dégradé, retratando as escamas do salmão. Foram colocadas cordas de sisal penduradas no teto de forma leve e milimetricamente calculadas para que uma delas pudesse cair sobre o centro de mesa, preenchida disfarçadamente por cabeamento elétrico para que ao final alimentasse um belo lustre artesanal em gaiola adaptada e iluminação em lâmpadas de filamento. Por apresentar um pé direito generoso, sentimos a necessidade de criar algo grandioso e que pudesse atravessar além do ambiente interno, então montamos dois painéis laterais usando retalhos de MDF que seriam descartados, colados aleatoriamente e um grande painel verde central com vegetação variada e bem carregada, destacando o ideograma Kin (ouro em japonês), repetido quatro vezes, com pintura dourada. Apresenta ainda uma malha externa feita em vergalhões e pérgolas metálicas imitando gaiola, que entra em harmonia com a iluminação de quermesse, retratando a imagem de infinitas “pepitas de ouro” (kin).

SOLUÇÃO PROJETUAL

Acredito que o conforto térmico da área externa, que funciona como um deck, foi a melhor solução projetual existente. Criamos um grande cubo de vidro temperado com película levemente fumê e sustentado por estruturas metálicas intercaladas. Como a cobertura inteira em vidro, de maneira exposta, permite interferência solar constante e intensa durante boa parte do dia, a solução que encontramos, além da climatização mecânica, foi colocar uma lâmina de água que percorre toda a cobertura até a calha coletora camuflada em um jardim, formando uma camada protetora contra a radiação solar incidente e contribuindo para a eficiência dos equipamentos de ar. Levando em conta a real situação climática que convivemos na cidade, foi algo que teve um ótimo resultado e nos presenteou com o som de um agradável riacho natural, agregando ao conceito inicial do projeto.

SUPÉRFLUO NECESSÁRIO

Considero um supérfluo necessário valorizar objetos e materiais simples, pouco reconhecidos e muitas vezes descartados como lixo. O lixo é luxo! Priorizo a inovação através de reuso e reaproveitamento dos materiais, ou seja, procuro contribuir com o máximo de esforço para melhoria e preservação do meio ambiente. Acredito que a sustentabilidade pode ser automática e se tornar rotina na vida das pessoas, misturando o simples, o belo, a elegância e o luxo. E, com isso, melhorar a qualidade de vida com menos gastos e mais eficiência utilizando os elementos que a natureza nos proporciona.

Agradecemos você Fabrício, por conversar conosco e apresentar esse projeto aos nossos seguidores. Sucesso é o que desejamos a você sempre!

Confere as fotos que ele separou para vocês!

kin1 kin2 kin3 kin3akin3b kin4

kin5 kin6

Fotos: Ivan Câmara.