Se você tem uma consciência ecológica e considera um desperdício tantas cascas de legumes e verduras jogadas fora, assim como outros resíduos orgânicos, se preocupa com o meio ambiente e acha um absurdo os gastos com transporte de detritos e com os aterros sanitários, saiba que pode ter a solução bem pertinho das suas mãos: uma composteira doméstica. Mesmo que você viva em um apartamento pequeno, é perfeitamente possível fazer a reciclagem das sobras de alimento em bacias, baldes plásticos ou caixotes, de forma muito fácil. Você mesmo resolve o problema do lixo orgânico na sua casa e ainda ganha o melhor adubo para as suas plantas, sem contar que a natureza agradece.

Pense bem: de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica aplicada (Ipea), 52% de todos os resíduos produzidos em território nacional são orgânicos. Eles são depositados em aterros sanitários juntamente com os demais tipos de lixo sem receber qualquer tipo de tratamento, gerando o gás metano (CO4), que é 25 vezes mais nocivo do que o gás carbônico (CO2). Ao fazer sua compostagem doméstica você estará reduzindo a quantidade de lixo nos aterros e a consequente emissão de gases poluentes na atmosfera.

Lixo é transformado em uma biomassa altamente nutritiva

Como na natureza nada morre, tudo se transforma, você estará fazendo com que o seu lixo orgânico, em vez de se transformar em gás nocivo, transforme-se em um alimento muito nutritivo para seus vasos de plantas, hortas e jardins. A biomassa produzida pela compostagem doméstica pode ser proveniente de dois tipos de produtos: os castanhos, que possuem mais carbono do que nitrogênio (palhas, restos de madeira e serragem, folhas e grama seca, pequenos galhos) e os verdes, mais ricos em nitrogênio do que carbono e cuja decomposição é mais rápida (grama fresca e restos de cozinha como legumes e verduras, sacos de chá, comida cozida, cascas de ovos, borras de café e cascas de frutas, legumes e vegetais, por exemplo).
Alguns produtos, no entanto, não devem ser compostados. Exemplos são excrementos de animais domésticos que podem ter microrganismos patogênicos que podem sobreviver à compostagem, restos de plantas doentes ou tratadas quimicamente, restos de jardim tratados com pesticidas, carnes, peixes, cinzas de carvão, laticínios, manteigas e queijos, molhos, vidro, metal, pilhas, tintas, medicamentos e plásticos.

Veja como fazer a sua composteira no seu apartamento

Para quem mora em apartamentos e dispõe de espaço reduzido para montar a composteira, o ideal é fazê-la com caixotes de feira ou gavetas velhas ou baldes. No caso destes últimos, você deve utilizar no mínimo dois baldes que ficarão sobrepostos: o de baixo armazenará o que sair do balde de cima e para isso você deve fazer vários furos tanto na lateral quanto no fundo para facilitar a entrada do oxigênio que vai acelerar o processo de decomposição e a saída do material orgânico. Uma dica é usar os baldes de cloro para piscina, nesse caso você deve furar também a tampa daquele que ficar na parte inferior.
Monte a sua composteira colocando, no balde de cima, uma camada de 3 ou 4 cm de serragem, uma camada de inoculante (adubo orgânico, terra preta de mato ou esterco curtido) que levará as bactérias responsáveis pela decomposição. Depois dessas duas camadas você deverá colocar o resíduo orgânico da cozinha. Mas atenção, como você ainda está se habituando a fazer a compostagem, recomenda-se não colocar ainda sobra de alimentos cozidos para evitar mau cheiro e moscas. A recomendação é que você os inclua posteriormente, aos poucos, aumentando gradativamente também a carga de matéria seca, folhas ou serragem. Essas quantidades são baseadas na média de produção de lixo orgânico da família brasileira que é de meio quilo por dia.
Depois de colocar o lixo orgânico deve ser colocada nova camada de inoculante de forma que ele cubra completamente camada anterior de lixo de cozinha. Por fim, deve ser colocada nova camada de serragem coberta por grama seca ou qualquer tipo de palha. O balde ou caixote deve então ser tampado. A princípio esse material colocado deve levar em torno de 3 meses para se decompor, mas você deverá fazer a reposição periodicamente para eliminar o seu lixo de cozinha. Para isso, no dia a dia, basta abrir a tampa, retirar a palha que faz a cobertura, colocar o lixo do dia, repor uma camada de serragem e recolocar a de palha, tampando novamente.
O volume será reduzido conforme o material for perdendo água, que escorre para o balde de baixo e pode ser usada como excelente fertilizante para a horta, jardim ou vasos. Quando o balde ficar completamente cheio você deve começar um noivo e só abrir o antigo quando a compostagem estiver no ponto: você saberá por que, após este prazo de cerca de 3 meses, o adubo resultante será homogêneo e sem cheiro, com aspecto de terra preta, pronto para ser usado.

Projeto foi sucesso em São Paulo

Há outros tipos de composteiras domésticas que utilizam a técnica da vermicompostagem, na qual as minhocas aceleram o processo de decomposição da matéria orgânica gerando o vermecomposto ou húmus, um produto utilizado para melhorar a qualidade do solo.
Uma dica, procure na prefeitura de sua cidade se tem algum projeto com relação a composteiras domésticas. Para se ter ideia da eficiência do processo, o projeto Composta São Paulo, de inciativa da prefeitura da capital, distribuiu 2 mil composteiras domésticas a voluntários e em seis meses recolheu mais de 250 toneladas de resíduos orgânicos compostados. De acordo com a pesquisa de satisfação realizada, 98% acreditam ser uma boa solução para lidar com os resíduos orgânicos da cidade e 86% afirmaram ser uma prática bastante fácil.

 

E você, já pensou em fazer compostagem de seu lixo da cozinha? Conte para nós o que achou dessa ideia aqui, nos comentários!